42 é a resposta, só precisamos agora saber qualé a pergunta.
Com uma dose de humor, sarcasmo, ironia e muitas analogias (além de eventuais parêntenses), o autor tenta inspirar nos outros o amor que sente pela Ciência.
Tem muita coisa boa por aqui. Sintam-se à vontade para procurar.
Sejam todos bem-vindos!
Só para tirar a poeira, vou encher vocês de enigmas pelos próximos meses.
A falha nessa abordagem é que minha recente inclusão no corpo discente da UFRN (ver o uôleo para atualizações mais específicas e meu Twitter para as mais explícitas) toma tanto tempo da minha vida que eu não vou conseguir criar tantos enigmas quanto quero.
A única alternativa que enxergo é tomar emprestado alguns já existentes e, displicentemente, esquecer de comentar a ocorrência.
Os de hoje são meus mesmo.
Até onde eu saiba.
Hoje vocês terão dois porque primeiro eu escrevi a pergunta e depois fui tentar resolver.
O problema é que eu decifrei o enigma errado, criando uma segunda pergunta que precisou ser formulada a posteriori e que deu tanto trabalho quanto a resposta ao primeiro, que na verdade era o segundo.
Bom, agora que consegui enrolar todo mundo, vamos às perguntas:
Enigma 1; qual o maior número natural que pode ser escrito (por extenso, através do alfabeto ¬¬ ) de modo que nenhuma letra se repita?
Enigma 2; qual o maior número natural que pode ser escrito (nos mesmos parâmetros acima) de modo que suas letras estejam em ordem alfabética?
(Neste último pode haver repetição de caracteres, desde que a ordem A~Z se mantenha.)
Parecem fáceis o suficiente, mas tentem resolver um pensando no outro e vocês vão ver como minha aula ontem foi interessante...
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Rodada bônus totalmente improvisada e ainda sem resposta formal: Enigma -2; qual o maior número natural que pode ser escrito de modo que suas letras estejam em ordem alfabética invertida?
Vários argumentos são cuspidos (por mim, inclusive) defendendo que o homem (com inicial minúscula) não é, evolutivamente, um bicho monogâmico, pois pode fecundar várias mulheres por semana (potencialmente e/ou em filmes), garantido maior espalhamento e chances de sobrevivência de sua herança genética.
Vocês já viram uma criança de dois anos? Já interagiram com alguma?
Já notaram o quão fácil é derrubar uma? Especialmente quando se vem correndo à toda velocidade em sua direção?
E quanto tempo ela demora para se levantar? Isso quando chega a ficar de pé novamente! Na maioria das vezes apenas fica no chão chorando a plenos pulmões. =>
Não que eu já tenha feito algo assim com certa frequência por puro prazer sádico e ódio mortal a pessoas menores que eu e sem capacidade de reação adequada.
Não, de jeito algum. Só estava perguntando.
Pois bem, já notamos aqui como crianças são seres inúteis no que diz respeito a autossuficiência, pois elas precisam de proteção o tempo todo, não conseguindo se defender por si só.
(Sequer sabem correr decentemente, esses pequenos sacos de catarro e cocô...)
Logo, não há muita vantagem real em desperdiçar tanta energia produzindo sêmen para espalhar pelo mundo indiscriminadamente (a imagem mental é gratuita. Disponham) gerando criaturinhas tão frágeis e indefesas.
Um cardume de peixes e as centenas de filhotes de tartaruga que nascem duma vez protegem os indivíduos ali contidos, aumentando suas chances individuais de sobrevivência, permitindo que a espécie continue para se reproduzir outro dia.
Mas cada bebê humano nasce (geralmente) sozinho e sem capacidade de aglomeração intrínseca, então, do ponto de vista da espécie, ter muitos filhos separados é tão vantajoso quanto ter um filho apenas.
É muito mais jogo ter só um filho e cuidar dele até que ele possa, pelo menos, correr e subir nas coisas com certa desenvoltura (sempre lembrando, neste ponto da narrativa nós estamos numa época remota onde ainda éramos parte da cadeia alimentar pelos dois lados).
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Se preparem pois agora eu vou quebrar o paradigma de vocês!
Prontos? Certeza?
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Agora, vamos pensar do ponto de vista feminino!
(Doeu?)
Qual vantagem uma mulher teria em se deixar emprenhar por qualquer Zé (ou qualquer Ug, na nossa analogia temporal pré-histórica) quando ele bem entendesse?
Além de passar duzentos e sessenta e tantos dias dividindo sua energia com um tipo de parasita intra-abdominal, ainda precisaria, sozinha, buscar fontes de reposição energética. E isso só até o menino nascer.
Depois disso ainda precisaria dispor, por quase um ano, de pelo menos um braço para carregar o infante (que é incapaz de se segurar sozinho) enquanto se esconde de predadores e continua sua infindável busca por comida.
Sozinha.
Pessoas assim não ficariam muito tempo gastando espaço e recursos no mundo pois não passariam facilmente pelo crivo implacável da Seleção Natural.
Por outro lado, se conseguissem, creio que hoje teríamos uma raça de mulheres-caranguejo, com um braço bem maior que o outro e uma tendência a correr e escalar troncos de árvores.
Então, que tipos de mulheres e homens passariam melhor pelo vestibular da natureza?
Aqueles que gostam de ficar juntos por muito tempo (desde que consigam procriar em um tempo limite de mais ou menos dois anos, senão as vantagens desaparecem rapidamente e ambas as partes buscam novos parceiros em prol da continuidade de espécie).
Ou pelo menos até seus filhotes deixarem de ser completamente imprestáveis. Marca essa que é atingida em aproximadamente quatro ou cinco anos de vida (biologicamente, pois sociedade-modernamente o ponto de corte sobe para uns trinta, trinta e cinco anos).
Segundo a antropóloga Helen Fisher, da Universidade Rutgers, após estudar dados de divórcios em várias sociedades ao redor do mundo (totalizando cinquenta e oito!), ela levantou uma hipótese de que existe um ciclo de quatro anos entre o "apaixonar-se" e o "desapaixonar-se", pois o papel do casal como unidade reprodutiva já foi cumprido e, pelo bem da diversidade genética, devemos no "reapaixonar" por outrem:
"Se vemos isso em tantas culturas, talvez haja uma explicação darwiniana.
Talvez tenhamos nos adaptado ao que chamo de 'monogamia serial'; uma série de relacionamentos de manutenção do par, pois indivíduos que têm filhos com mais de um parceiro tendem a criar maior variedade genética em suas crianças. Talvez, então, o fato do amor romântico ser tão inconstante e passível de acabar em relacionamentos seja um mecanismo evolutivo para promover variedade em indivíduos."
P O R É M
A Natureza pode até não ser perfeita, mas também não é burra.
"Ficar juntos" não é um eufemismo do tipo "dormir juntos".
A promiscuidade masculina, por existir e ser tão prevalente (sendo até constantemente exaltada em obras artístico-musicais do tipo forró e pagode), mostra que resistiu de certa forma ao processo seletivo. Mas como?
Mulheres só ovulam vez por outra (ouvi dizer que uma vez por lua, sendo férteis por apenas algumas dúzias de horas), então elas podem optar pelo macho mais carinhoso e mais dono-de-casa pela vida toda e, apenas uma vez, preferir um sujeito com bastante melanina protetora de ácido fólico e ossos fortes e compridos mas que não gosta de lavar fralda nem de acordar mais de uma vez seguida sob o mesmo domo cavernoso.
Outra hipótese sugere que o ciclo menstrual altera a percepção feminina de "par ideal", como uma espécie de LSD hormono-romântica.
Em condições normais (a definição de "normal" sendo bem aceita como "qualquer sistema arbitrário praticado por uma maioria"), é bem mais vantajoso escolher um bom pai, do tipo caseiro, que compartilhe dos mesmos gostos.
Em condições décimo-quarto-dia, a Síndrome de Olívia Palito toma conta e vence o parceiro que tiver os bíceps maiores e maior diferença genética (facilmente medida através de uma rápida troca de ptialina).
Logo, seria possível manter uma população ativa de machos-alfa circulando promiscuamente entre as mulheres (durante o período de "lua cheia hormonal" que as aflige), eventualmente tendo a sorte de "converter uma cesta" (não sou bom com analogias esportivas, mas acho que a imagem abaixo é uma ajuda visual suficiente).
Algo sobre bolas e aros...
Com o lucro adicional de ter um filho do qual não precisará cuidar.
E um vezinha de nada basta. Só uma, na hora certa.
Ug nem precisa ficar sabendo, desde que ele cuide da cria (que tem até boas chances de ser mesmo dele).
C O N T U D O
Isso tudo antes de inventarem pílulas anticoncepcionais. Porque depois, aparentemente, todas as regras deixaram de valer.
Segundo o estudo do link acima, a preferência por parceiros, tanto de homens quanto de mulheres, varia de acordo com o ciclo menstrual (como eu já notei láááá em cima neste artigo que está se tornando desnecessariamente mais e mais longo, como se fosse um trabalho de escola com número mínimo de páginas) e o uso de pílulas anticoncepcionais pode, potencialmente, desmantelar esse mecanismo de escolha.
As mulheres perdem o discernimento e começam a querer namoro sério com os trogloditas e ter filhos com candidatos menos geneticamente diversos delas.
Uma conclusão do estudo (feita por Alexandra Alvergne and Virpi Lummaa, da Universidade de Sheffield) que eu achei particularmente interessante é de que as mulheres que usam os contraceptivos orais perdem parte de seus "atrativos ovulatórios" fazendo com que seus parceiros ideais de longa duração percam o interesse nelas (ou, melhor ainda, ganhe interesse maior em outra), gerando, mais uma vez, a danada da promiscuidade masculina.
T O D A V I A
Ainda outro estudo (o mais recente de todos, eu acho), mais uma vez contrariando meus preconceitos e preconcepções, parece sugerir que ainda estamos evoluindo, pois a humanidade está ficando mais e mais adaptada ao convívio social, e os homens que nascem naturalmente mais inteligentes parecem estar ficando mais fiéis.
Quem diria...
Seria então essa tendência à fidelidade uma resposta evolutiva para balancear o uso indiscriminado de anticoncepcionais?
Não, não acho que teria dado tempo. A pílula só existe há cinquenta anos.
!!!
Poderia ser o contrário? Será que as mulheres, ao notarem que estávamos ficando mais fiéis, inventaram um dispositivo para coibir nosso avanço no campo do equilíbrio reclamostático [1] e nos manter no estado corrente de constante perplexidade e alvoroço mental?
Talvez! É difícil dizer.
Não sei precisar exatamente quando o fenômeno surgiu, mas não acho que exista homens tão inteligentes no mundo há tanto tempo assim.
My laws, yes!
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[1] Equilíbrio Reclamostático - Situação hipotética altamente idealizada onde o volume de queixas tende ao estado de menor energia, representado teoricamente por um número natural sempre maior que zero.
--- Antes de qualquer coisa (exceto isto aqui <=), um aviso: lembre sempre que plásticos tendem a deformar sob calor excessivo.
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Parte 0 - Ideia brilhante
Estava eu há alguns dias sem dormir que preste quando, numa bela tarde da noite, não mais que de repente, sou abatido por um desejo incontrolável de vasculhar a geladeira. Eis então que encontro uma caixa de leite aberta.
Totalmente desprovido de capacidade cognitiva de estimar a data de abertura do longa-vida devido ao meu estado insône de semiconsciência, lembro de um velho truque culinário que é passado de geração em geração na minha família (começando com a minha mãe e findando em mim) que consiste em aquecer o conglomerado coloidal até que este ferva ou talhe (se ferver, apesar de nutricionalmente arruinado, pode ser bebido com segurança; se talhar, serve nem para jogar ralo abaixo porque leite azedo talhado é capaz de entupir até a boca da panela).
Na minha casa nunca teve essa conversa de "beber leite quente ajuda a dormir" (a palavra de ordem era "banho"), logo jamais passou pela minha anuviada cabeça fazê-lo (era quase um litro também) e como leite fervido e esfriado cria uma nata tão aderente que Van der Waals teria dificuldade em explicar, eu precisava usar aquilo de alguma forma.
Qualquer fita métrica que passasse ao redor da minha cintura naquele momento poderia prever (caso implementos alfaiáticos possuíssem alguma forma inata de precognição) a ideia que surgiria na minha mente em instantes.
Doce de leite.
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Parte 1 - O doce
Ao ver subirem à superfície do líquido não maçarocas de sólidos lácteos mas bolhas de ar, estimei volumetricamente a quantidade de leite na panela e despejei o que julguei ser metade daquele valor em açúcar, alguns poucos cravos-da-índia (para dar um toque exótico) e uma quantidade arbitrária de manteiga (para dar um brilho).
Juntei, de forma simétrica, as pontas dos dedos da mão esquerda às pontas dos dedos da mão direita, proferi um "excelente" e me preparei para passar os próximos noventa minutos mexendo a mistura enquanto ela atingia ponto de fio.
Quando o volume total inicial fica reduzido pela metade, é necessário um olho experiente para perceber a sutil variação na cor do produto que gradualmente escurece e notar quando o doce está no ponto e pronto para ser retirado do fogo. Como eu não tenho um olho assim, uso uma tabela cromática com 256 tons de marrom.
Nesse momento a única diferença significativa entre doce de leite e magma, além da proporção entre os minerais, é que um é quente o suficiente para derreter rochas enquanto o outro encontra-se a quilômetros de profundidade sob o manto terrestre.
Eu costumo ser bastante cuidadoso enquanto estou cozinhando e diretamente proporcional ao cuidado é o desleixo que me toma assim que desligo a boca do fogão.
A comida está pronta e o fogo apagado, o que poderia acontecer de errado?
Grande erro.
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Parte 2 - As bolhas
Dos recessos mais profundos do meu armário de receptáculos vedáveis, produzo um cilindro oco de polietileno despejando dentro dele a produção da minha noite oniricamente prejudicada e coloco o sistema doce-plástico no parapeito da janela para esfriar mais rápido.
Temendo que a coruja albina que mora nas caixas de condicionadores de ar do meu edifício se interessasse pela iguaria, achei por bem tampar o recipiente que se encontrava a oitenta centímetros de mim (aproximadamente uma pia de distância), cometendo o erro de não levar em consideração a variação de ductibilidade do material sob altas temperaturas (vide aviso no início deste artigo) e a perfeição do lacre da tampa, cuja bitola é apenas alguns nanômetros maior que a da boca do pote.
Agora, preciso da ajuda da capacidade de abstração de vocês. Imaginem a seguinte cena: um líquido ultraviscoso e pegajoso aproximando 160 graus centígrados dentro de um reservatório que se torna mais maleável a cada segundo e cuja vazão está rapidamente dando lugar à pressão devido a uma tampa (que em condições ideais já é deveras difícil de encaixar com sucesso) sendo inadequadamente forçada por um gordo burro e sonolento a uma distância totalmente impraticável.
O que temos então? Isso mesmo.
Napalm caseiro.
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Parte 3 - Hipóteses
Após a parte do jato incandescente de creme açucarado que conseguiu desviar da palma da minha mão me atingiu na perna e pé, meu cérebro resolveu me ajudar um pouco e entrou no modo Alerta 2 (Avaliação de danos => Exploração superficial de riscos latentes nos arredores => Escolha de método de reversão de ameaça).
Após finalizar a coleta de dados inciais, a diretiva principal era bastante clara: reduzir temperatura imediatamente.
Como a ameaça estava incorporada em um ser pastoso e grudento mas completamente hidrossolúvel que cobria áreas variadas do meu corpo, cautelosamente (porque não gosto de entrar em pânico) me dirigi ao chuveiro o mais rápido que o atrito entre meus pés e o piso do apartamento me permitia (porque eu estava em chamas).
Já debaixo de uma coluna semicontínua de água fria (eu tomei um tempinho para verificar se a resistência estava mesmo desligada) pensei, enquanto admirava os tons rubros que partes da minha pele estavam adquirindo, qual seria o próximo passo no tratamento.
O engenheiro de materiais que ocupa um quartinho no lado esquerdo do meu lobo frontal me recomendou que, depois que a temperatura voltasse a níveis aceitáveis, eu deveria manter uma certa oleosidade sobre os locais afetados para impedir o ressecamento das superfícies e evitar rachaduras e infiltrações futuras. Logo, assim que parei de delirar, me enxuguei cuidadosamente e comecei a me lambuzar generosamente com um hidratante à base de óleo (que eu só possuo porque minha caminhadas diárias costumam deixar meu entre-coxas assado).
No meio da ação pensei: "este é um momento ideal para conduzir um experimento impromptu!"
Passei o hidratante em todos os pontos fumegantes, exceto no pé, que resolvi deixar como controle.
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Neste momento preciso fazer uma pausa para inserir uma das minhas famosas desmitificações: popularmente acredita-se que jogar água em queimaduras favorece o aparecimento de bolhas, mas a não ser que o sujeito possua uma lata de ar comprimido ao alcance das mãos, água é a coisa que vai esfriar a pele mais rapidamente. O que propicia o aparecimento de bolhas é a temperatura e o calor específico daquilo que o queimou (não pude controlar para isso mas talvez num próximo episódio eu tenha mais autocontrole).
De nada.
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Eu poderia também ter tentado outros métodos para comparação, mas nenhum (pasta de dentes, clara de ovo, manteiga) me pareceu justificadamente funcional, então resolvi manter o plano inicial e me ater a testar apenas a hipótese da eficiência real do hidratante.
Hoje, alguns dias depois, tenho bolhas médias indolores na mão, uma bolha gigante e dolorida no pé e uma marca (como de um açoite com chicote em brasa) na perna, também sem dor na região.
As demais áreas afetadas não podem ser expostas neste blogue, que se orgulha em ser Censura Livre.
O hidratante parece ter ajudado. Meu pé ainda dói consideravelmente.
Sei que não foi um teste cego, mas minha frieza consegue ameaçar minhas emoções e subjetividade de um jeito fabuloso.
Precisa ver.
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E precisei de tudo isso para conseguir inspiração para escrever um artigo decente enfim.
Não vou dizer que roubei a ideia de Atila porque prefiro considerar este artigo como complemento ao seu sobre a ferroada mais dolorida.
Enquanto lia, ficava esperando para ver qual posição a Vespa mandarinia ocuparia. Infelizmente ela não estava lá.
Também conhecida como zangão gigante asiático ou vespa mata-iaque, essa belezinha de mamãe tem um ferrão de seis milímetros.
Para os menos engenheiristicamente inclinados, isso é o comprimento aproximado da ponta de uma caneta Bic:
O veneno injetado por essa monstruosidade (sim, pois na natureza não basta empalar, é preciso parecer queimar) não é dos mais poderosos, sendo menos tóxico que o de uma abelha comum, mas o zangão da foto a seguir mede seu veneno não em mililitros, mas em copos americanos (e consegue picar repetidas vezes, jamais perdendo seu imenso ferrão).
Isso não é uma foto da menor mão do mundo, que fique claro.
Um entomólogo descuidado (Masato Ono, da Universidade de Tamagawa) disse que ser ferroado por essa besta é "como ter um prego incandescente atravessando sua perna".
De nada.
Acabou? Acho que não.
Não bastasse ser grande o suficiente para engasgar o mais bocudo dos animais e ter um ferrão maior do que muitos outros insetos, essa matéria-prima de pesadelos consegue voar a mais ou menos quarenta quilômetros por hora.
Isso são 40km/h!
Usain Bolt conseguiria escapar nos primeiros cento e poucos metros, mas acho que nem o melhor supermaratonista conseguiria continuar correndo pelos cem quilômetros que a vespa percorre na sua ronda diária.
Achando pouco ser o maior inseto peçonhento voador com um ferrão infinito, litros de veneno, velocidade de carro em segunda marcha e estamina de triatleta, a gigante asiática ainda é capaz de decepar até quarenta abelhas por minutos.
Por diversão.
Não, brincadeira, a vespa come as larvas.
E para isso precisa passar pelas abelhas.
Muitas abelhas.
A frase "deixando um rastro de cabeças e membros decepados" apareceu constantemente nas minhas pesquisas.
Vejam por vocês mesmos a diferença de tamanho e a facilidade com quê as abelhas são eliminadas.
Eu teria escolhido a Cavalgada das Valquírias como tema do vídeo.
Recapitulando: gigante, veloz, resistente, muito veneno, ferrão reutilizável, dor imensa.
Faltou alguma coisa?
Acho que não.
Ah! Como a vespa mata mordendo, o veneno é usado só para defesa e quando uma ferroada é administrada, feromônios de aviso são liberados.
E esse aviso é "EI! UMA AJUDINHA AQUI QUE ESSE É GRANDE!" para qualquer outra colega que esteja nas redondezas.
Talvez daí venha o apelido de mata-iaque.
Pode não ser a mais dolorosa fisicamente, mas sem dúvida é a mais psicologicamente forte de todas.
Não vou reproduzir o email na íntegra porque não sei o que ele come (neste link você pode ler partes dele e entender do que se trata o resto deste texto), mas existe um negócio chamado SPFW que, além de difícil de pronunciar, também é complicado de entender.
Aparentemente se trata de um evento exclusivo para convidados, jornalistas, atores, modelos, músicos, apresentadores, fotógrafos, cineastas, assessores ou qualquer pessoa que se encaixe na definição do termo "celebridade"[1].
Além de algumas outras pessoas anônimas.
E o pessoal da limpeza.
E alguns políticos.
Já me disseram que moda é arte, mas descobri hoje que pode também ser sustentabilidade.
Exemplo de moda francoanatômica totalmente sustentável.
Através de vias escusas, macabras e saurópodes, recebo um email afirmando que uma certa empresa (que mantém um tal de core) que se diz líder de aquecedores solar (mas eu duvido, pois já conheci alguns aquecedores nas minhas andanças e eles sempre são bastante individualistas e avessos a autoridade) revestiu o local por onde Gloria Coelho iria passar com aquecedores solar.
Quando li da primeira vez, achei que Gloria fosse muito friorenta e precisasse caminhar sobre uma superfície aquecida mas depois notei que a mensagem não se referia à planta dos pés da moça, mas ao astro sobre nossas cabeças (durante o dia) que é excelente em permanecer completamente ausente de um local fechado, como um salão de desfile de moda.
Corre à boca pequena que uma estlista estaria fazendo roupas a partir de vestes já existentes e com os dizeres "Não desperdice energia!" escrito com tinta reaproveitada.
Ou, como foi posto no email: "sua coleção é voltada para a redução do desperdício de energia."
Eu achava que o conceito de desperdício de energia (e recursos) também englobasse ações como produzir, transportar e instalar um painel solar numa caixa escura. Por onde pessoas mais tarde caminhariam. Usando roupas feitas do zero. Com materiais caros e dispendiosos. E que jamais serão reutilizados. Ou vendidos.
Tudo isso feito sem nenhum motivo aparente.
Num ambiente onde reina a futilidade, o culto à aparência e o mais completo e total materialismo.
Talvez se o piso fosse feito de quartzo ou de algum outro material piezoelétrico a energia gerada pelas pisadas fosse suficiente para balancear os gastos de implantação. Talvez.
Mas eu devo admitir que não entendo coisa alguma de moda, portanto não posso afirmar aqui que manequins não têm um sol no meio das pernas.
[1] Celebridade - subs. fem.
1. Indivíduo que afamadamente usa bastante o célebro;
2. Apreciador de atividades celebrais;
3. Reputação daquele que sabe o que diz; Ex.: a c. afirmou no show de calouros que foi curada do seu câncer através de orações e suco de cenoura
4. derivação por metonímia: Qualquer pessoa que acredite ser famosa e que não tenha o que contribuir para a sociedade.
Amanhã, depois que as garrafas estiverem esvaziando e você notar que a hora chegou, impressione seus amigos com uma tartaruga pós-champagne:
Porque poucas coisas são mais recompensadoras que aqueles oito segundos de sorrisos sinceros e congratulações espontâneas que você vai receber quando seus amigos notarem a sua habilidade manual.
Os minutos seguintes onde eles levarão a tartaruguinha de mesa em mesa mostrando a todos aquela singela escultura e os olhares cheios de orgulho alheio são muito bons também, mas não como aqueles oito segundos iniciais.
A foto é melhor explicação que um guia escrito, mas basta imaginar um desses achatado:
As pernas são os arames dobrados ao meio e a parte arredondada que sobra vira a cabeça.
Legal, né? Eu quando descobri que isso existia fiquei extremamente feliz!
Lembre sempre: se for dirigir, não beba.
Mas se for beber, e for espumante, faça uma tartaruguinha.
Se tudo der certo, ano que vem eu volto por aqui com novidades (porque de coisa velha basta 2009 e minhas piadas).
Como ganhar a Mega Sena da Virada?
Apostando nas seis dezenas sorteadas!
Não há "segredo para ganhar na mega sena".
Se houvesse, a mesma pessoa ganharia sempre, pois saberia o segredo.
Dicas de especialistas? Se um sujeito soubesse como ganhar 100 milhões, vocês acham que ele espalharia?
Quer ser caridoso, aposte usando seu segredo, ganhe e dê o dinheiro para a caridade.
Este artigo infalível foi projetado para com certeza capitalizar com a febre da Mega Sena da Virada.
Que a luz da Razão
Ilumine nossos primeiros dias de verão,
Que a sede de saber
Nos acompanhe durante o ano que vai nascer,
Que nossa curiosidade
Não nos deserte por toda nossa curta eternidade,
E que mesmo nosso desejo mais incrível
Se realize sempre que estatisticamente possível.
Aproveitem a semana com seus amigos/familiares/solidão e descansem bastante.
Até ano que vem!